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SEGUNDA-FEIRA, 2 DE MARÇO DE 2020 - Horário 13:32
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ECO/ PRNewswire - Cientistas americanos consideram "inválido" estudo que afirma que cigarros eletrônicos duplicam riscos de ataque cardíaco

SÃO PAULO, 2 de março de 2020 /PRNewswire/ -- O estudo do pesquisador Dr Stanton Glantz para avaliar os impactos dos cigarros eletrônicos na saúde dos consumidores foi considerado "retracted" - termo em inglês para designar que o artigo não é confiável e precisa ser revisto. Stanton é pesquisador da Universidade de São Francisco Califórnia, e seus estudos são frequentemente usados por especialistas em saúde pública e por agências reguladoras internacionais contrárias ao conceito do uso do cigarro eletrônico como uma ferramenta de redução de danos. Glantz esteve no Brasil, ano passado, quando foi recebido por diversas autoridades da área de tabagismo, incluindo membros da Diretoria da Anvisa.

Em 2019, o Journal of the American Heart Association (JAHA), renomada publicação científica americana, deu destaque ao estudo de Glantz, que imediatamente recebeu críticas da comunidade científica. Vários pesquisadores insistiram na necessidade de revisá-lo, quando se confirmou que a maioria dos pacientes da pesquisa que sofreram ataques cardíacos eram fumantes de cigarros tradicionais, e que tiveram problemas cardíacos 10 anos antes, em média, de começarem a usar vaporizadores. O estudo foi custeado em mais de 20 milhões de dólares pelo FDA (Food and Drug Administration).

Ao ser abordado pela JAHA, o autor e o co-autor, Dharma Bhatta,  disseram que haviam considerado apenas ataques cardíacos ocorridos após 2007, quando o vaping começou nos EUA, porém não tinham mais acesso aos dados para provar a descoberta.

Para Brad Rodu, professor da Universidade de Louisville, os achados de Glantz são "falsos e inválidos". Já o professor David Abrams, da Universidade de Nova York, que assinou o pedido de revisão ao lado de 16 acadêmicos, solicitou investigações sobre outras pesquisas do autor. 

No mundo, estima-se que 40 milhões de consumidores utilizem ou tenham utilizado o cigarro eletrônico como alternativa ao tabagismo, uma vez que ele possui um potencial de risco reduzido da ordem de 95% (dados da Public Health England, agência do Reino Unido).  

Em 2019, a Anvisa  ouviu especialistas de saúde, da indústria, associações e consumidores, em duas audiências públicas, quando foram apresentadas evidências científicas sobre o tema. Este ano, a agência modificou o cronograma, e a deliberação final sobre a regulamentação dessa categoria no Brasil ficou programada para dezembro. A proibição da importação, propaganda e comercialização de cigarros eletrônicos desde 2009 fomentou a criação de um grande mercado ilegal, deixando os consumidores em risco.

FONTE THR BRASIL (Tobacco Harm Reduction Brasil)


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