SEGUNDA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO DE 2026 - Horário 16:03

IA já aumenta receita de 37% dos CEOs brasileiros; veja 3 formas de aplicar a tecnologia nos negócios
Com mais de 20 anos de experiência em gestão, executiva mostra aplicações que deram certo na própria operação /
Crédito: Divulgação
Crédito: Divulgação

A inteligência artificial já não é novidade no ambiente corporativo. Depois de uma primeira fase marcada pela experimentação, seu uso começa a fazer parte das atividades do dia a dia. Os efeitos já aparecem nos resultados: segundo a 29ª CEO Survey da PwC, divulgada em 2026, 37% dos CEOs brasileiros relatam aumento de receita com a adoção da IA nos últimos 12 meses, enquanto 28% afirmam que a tecnologia ajudou a reduzir custos. Na prática, empresas já incorporam esses recursos à operação. Realidade já adotada pela LypeDepyl, rede especializada em depilação a laser e despigmentação, que utiliza ChatGPT, da OpenAI, apoio em tarefas do dia a dia; Claude, da Anthropic, para análise de informações e documentos; e Gamma, para criação de apresentações e PPTs, em diferentes frentes. Desde a adoção das ferramentas, a rede registrou 2,3% de ganho de produtividade.

À frente da gestão da LypeDepyl e com mais de 20 anos de experiência no franchising, Leyde Ludwig Pereira, sócia-fundadora e CEO da rede, destaca que a adoção deve partir de necessidades reais da empresa. “A IA tem permitido agilizar atividades e manter maior padronização entre as unidades. Mas existe um cuidado importante: todo conteúdo, análise ou dado gerado precisa passar pela validação da equipe. Esses recursos ajudam a ganhar tempo e escala, mas a decisão final continua sendo humana”, afirma. Para a empresária, o primeiro passo é identificar tarefas repetitivas, atividades que consomem muitas horas da equipe ou envolvem um grande volume de informações. 

A partir do que já foi incorporado à rotina da LypeDepyl, a executiva reúne três caminhos para empresários que querem começar a utilizar a tecnologia de forma prática.

1. Automatize etapas do atendimento
O empresário pode começar mapeando as dúvidas que mais se repetem nos canais de atendimento, como informações sobre horários, serviços, valores ou agendamentos. A partir disso, chatbots podem responder perguntas recorrentes, coletar dados iniciais e encaminhar situações específicas para um profissional. “Nem todo atendimento precisa começar do zero, mas também nem toda conversa deve terminar em uma resposta automática. É importante definir quais demandas podem ser resolvidas com apoio da tecnologia e quais exigem atenção humana. Essa divisão ajuda a ganhar agilidade sem tornar o relacionamento impessoal”, explica Leyde.

2. Use a IA para analisar indicadores
Dados que a empresa já acompanha, como vendas, faturamento, conversão e desempenho por período, podem ser organizados para criar comparativos, resumir resultados e identificar variações que merecem atenção, reduzindo o tempo dedicado à leitura manual de planilhas. “Antes de utilizar uma plataforma, é importante conhecer suas políticas de privacidade e avaliar quais informações podem ser inseridas. Dados confidenciais, estratégicos ou pessoais exigem cuidado, e a interpretação dos resultados deve continuar nas mãos do gestor”, orienta.

3. Organize processos e treinamentos
Manuais, procedimentos e materiais de capacitação podem servir de base para criar resumos, perguntas e respostas, roteiros de treinamento e conteúdos divididos por assunto. Para empresas com diferentes equipes ou unidades, a aplicação facilita o acesso às orientações e ajuda a manter procedimentos alinhados. “Em uma rede, não basta ter a informação; ela precisa chegar de maneira clara a quem está na operação. Ao longo de mais de 20 anos de carreira, acompanhei como a padronização influencia o crescimento de um negócio. A IA facilita a organização desse conhecimento, mas o conteúdo precisa ser validado antes de chegar às equipes”, pontua.

A CEO da LypeDepyl ainda ressalta que os ganhos de produtividade não devem comprometer a personalização do atendimento. “A experiência do cliente continua sendo construída por meio da escuta, da empatia e da compreensão de suas necessidades individuais. O que deu certo para nós foi liberar a equipe de tarefas operacionais para dedicar mais tempo a esse cuidado. Ganhar escala é importante, mas sem perder a proximidade e a personalização”, conclui Leyde.

© 2014 Todos os direitos reservados a O Globo e Agência O Globo. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.